A inclusão da disciplina de História da Cultura Portuguesa nos mais variados cursos representa como que uma espécie de pausa nas competências reducionistas da especialização. Independentemente de o aluno frequentar relações internacionais, direito, economia, gestão, matemática, psicologia, contabilidade ou ciências empresariais, há uma plataforma através da qual todos poderão dialogar e questionar.
A existência desta disciplina, rica pelas matérias que aborda, apesar da selecção a que foram submetidas, justifica-se cada vez mais, num momento em que a globalização parece tomar conta de um espaço pluricultural, tendendo cada vez mais para a monocultura.
O espaço comunitário, pelo seu dinamismo, tenderá a impor novos padrões; a velocidade de informação e ritmos de vida levarão, inevitavelmente, ao esquecimento da cultura tradicional. Mas, se quisermos manter as raízes nacionais, os valores pelos quais, de formas diferentes, sempre nos batemos ao longo da História, devemos ter consciência de que, independentemente da formação académica ou vida profissional, a cultura que nos gerou não pode ou não deve desaparecer, até porque quaisquer que sejam os tipos de relações bilaterais estes têm subjacentes relações culturais.
A história parece demonstrar que, por exemplo, para conquistar espaços económicos, o sucesso está precisamente em conhecer geoeconomias profundamente conhecedoras dos modelos culturais envolventes.